Prescrever um medicamento não pode ser um ato automático, é um ato que deve vir acompanhado de muita responsabilidade

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A indústria veterinária desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar dos animais, sejam eles de estimação, produção ou silvestres. Avanços em medicamentos, nutrição, diagnósticos e tratamentos prolongam a vida de muitos animais e melhoraram significativamente sua qualidade de vida. No entanto, como qualquer setor movido por interesses econômicos, é essencial adotar um olhar crítico e questionador.
Será que todas as práticas adotadas priorizam verdadeiramente o bem-estar animal? Existem interesses comerciais que influenciam diagnósticos, tratamentos ou a prescrição de produtos? Até que ponto o marketing de determinados medicamentos reflete evidências científicas sólidas e não apenas objetivos de venda? As indústrias investem cada vez mais em lançamentos luxuosos, convidam veterinários influentes e promovem campanhas que fazem brilhar os olhos dos tutores, com promessas quase que milagrosas.
Um exemplo claro é o uso de vermífugos. É possível verificar em várias propagandas de diferentes empresas a palavra “proteger” seu pet. Porém, o vermífugo não previne, apenas trata. A utilização dessa palavra não deixa de ser uma promessa velada e enganosa. Durante anos, a recomendação padrão foi administrar vermífugos de forma rotineira, mesmo sem confirmação de parasitas. Hoje, já se discute a importância do uso racional, baseado em exames de fezes (como o coproparasitológico), para evitar a resistência antiparasitária e proteger a saúde animal de efeitos adversos desnecessários. Essa mudança de perspectiva mostra como o questionamento pode levar a práticas mais responsáveis e eficazes.
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Questionar a indústria veterinária não é desacreditar os profissionais que nela atuam com ética e compromisso, mas sim abrir espaço para uma reflexão mais ampla e consciente. Médicos-veterinários e tutores mais informados podem tomar decisões melhores, cobrando transparência, buscando segundas opiniões e valorizando abordagens mais integrativas e baseadas em evidências.
Cuidar de um animal é também refletir sobre o sistema que orienta como esse cuidado é praticado. Em tempos de medicalização excessiva e dependência de produtos industrializados, questionar é um ato de responsabilidade, não só com o animal, mas com toda a sociedade.
Por Mariana Perez, jornalista VetShare
Prescrever um medicamento não pode ser um ato automático, é um ato que deve vir acompanhado de muita responsabilidade
