Propósitos alinhados

Com um olhar não só sobre todos os processos da empresa, mas também de toda a cadeia que envolve o setor, o médico-veterinário Pierre Wagner, fala sobre sua rotina e dos desafios como presidente da Royal Canin do Brasil. Um líder nato que gosta de se conectar e inspirar pessoas.

outubro 2, 2023
20:33
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Sumário

Por Mariana Vilela, da redação

Seguir carreira na indústria pode não ser a primeira opção de quem escolhe a medicina veterinária como profissão, mas é uma área com tantos desafios e conquistas, quanto quem escolhe seguir na rotina clínica. E quem fala sobre isso é o atual presidente da Royal Canin no Brasil, o médico-veterinário, Pierre Wagner. “Em meu cargo é preciso amar seres humanos, pois passo boa parte do meu tempo vinculado aos assuntos relacionados a recursos humanos. Meu trabalho envolve principalmente engajar e inspirar equipes, faço mentoria e busco talentos, que é cerca de 50% do meu tempo. Outra parte do meu tempo está atrelada a entregar resultados. Como presidente de uma empresa, obviamente, há muitas metas para entregar. Metas essas que estão distribuídas em vários projetos de diferentes áreas como legislação, mercado, recursos humanos, fábrica, entre outros. Eu preciso ter o mínimo de informação de todas as áreas para conseguir fazer bem o meu trabalho. É como um treinador de futebol, eu não faço o golaço, mas ajudo a equipe a fazer os gols”, destaca.

Pierre Wagner, médico-veterinário, está há 28 anos na Royal Canin e este ano assumiu a função de presidente da empresa no Brasil (Crédito: Divulgação)

Outro ponto muito importante que Pierre destaca em sua função como presidente é representar a empresa. “Preciso estar presente em eventos, dar entrevistas, falar com o mercado. É uma grande responsabilidade que gosto muito e adoro trabalhar com pessoas. É algo natural para mim. Essa é a razão de eu estar falando português, porque na minha opinião, quando não se conhece o idioma é mais complicado ter essa conexão seja com clientes, fornecedores e equipe”.

Primeiros passos

Nascido em uma pequena cidade da França, Pierre conta que não se vê como um veterinário típico que escolheu a profissão por vocação. “No meu caso foi bem diferente. Nasci em uma pequena cidade localizada no Nordeste da França com 500 habitantes. O que é bem diferente de uma cidade do interior no Brasil que tem em média 500 mil habitantes. A minha motivação inicial foi querer descobrir o mundo e ir à Paris. Eu tentei várias profissões e o curso de medicina veterinária foi a primeira que me deu a resposta na universidade. Minha família era de origem simples e só consegui fazer o curso, porque ganhei uma bolsa de estudos do governo”, recorda.

No início da graduação Pierre pensou em seguir na área de animais de grande porte. “Fiz vários estágios desde o início da graduação. A decisão de não seguir na prática da veterinária foi principalmente pelo retorno financeiro. Muitos veterinários me diziam que os serviços veterinários estavam se tornando comodities. Eu não queria ser empregado e queria a minha própria clínica, mas não tinha dinheiro para investir. Então, no terceiro ano da faculdade eu decidi seguir na área de negócios. Hoje em dia os estudantes têm mais esse perfil de buscar direcionar a carreira desde a graduação, mas na minha época, eu fui uma exceção ter escolhido cedo um caminho e ir para a área de negócios”.

Além disso, na opinião de Pierre, muitos veterinários têm medo de entrar na área de negócios por pensarem que precisam de habilidades específicas e raciocínio rápido. Contudo, Pierre ressalta que, é na graduação de medicina veterinária, um dos lugares que mais se pratica a agilidade mental. “São muitas áreas de conhecimento que o veterinário aprende em um curto período. Os estudantes não se dão conta de que eles estão preparados para o que precisam fazer, pois estão aprendendo muito rápido. Hoje o mundo é complexo e você precisa estar sempre se adaptando a muitas informações”.

Há diversas formas de se entrar no mundo dos negócios. Pierre conta que depois da graduação, fez um MBA (Master in Business Administration) de dois anos para ter uma visão sobre o mercado. “Na veterinária há muitas oportunidades de fazer cursos rápidos adicionais em vendas e marketing, por exemplo, que podem ajudar muito e dar mais confiança. Além disso, na indústria o veterinário pode trabalhar em diversas áreas como qualidade, regulatória, nutrição, entre outras. A Royal Canin, por exemplo, conta com 500 médicos-veterinários, em diferentes áreas, por todo o mundo”.

Aprendizado e oportunidades

Pierre comenta que não conhece outro país com tantas faculdades veterinárias como o Brasil, que tem mais de 500 e, apesar da quantidade de veterinários formados todos os anos, clínicas e hospitais veterinários não conseguem contratar médicos-veterinários capacitados para as vagas. “Acredito que há uma grande lacuna entre a parte teórica e a prática. Além disso há grande rotatividade de profissionais e as empresas não conseguem tempo para treinar. Esse cenário mostra a oportunidade no mercado que é a de capacitar esses profissionais que saem das universidades para a prática”.

Outra oportunidade que Pierre visualiza nesse mercado tão concorrido, são as vagas internacionais como é o caso dos Estados Unidos, por exemplo, que demanda de muitos profissionais veterinários. “Seria importante que o mercado brasileiro trabalhasse junto a associações para abrir caminhos para os veterinários brasileiros interessados em seguir carreira fora do Brasil e ter seu diploma validado”. 

Visão 360 e futuro sustentável

Olhar para o futuro de toda cadeia é uma das preocupações de empresas como a Royal Canin, explica Pierre, principalmente no que diz respeito a sustentabilidade. “O crescimento da população de pets no mundo está levantando questões como ‘Qual será o impacto desse crescimento no planeta?’. E queremos mostrar que os animais de companhia não têm impacto negativo no planeta. Mas há muitas questões que não podem ser esquecidas como a produção de embalagens, por exemplo. Além disso, a produção de pet food é muito vinculada a agropecuária para a produção e utiliza insumos como farinha etc, o que gera uma discussão a parte. Se queremos mudar a pegada de carbono precisamos pensar nos fornecedores. Hoje na indústria 70% da pegada de carbono é devido a compra de matérias primas. E como resolver? São questões que uma empresa não pode resolver sozinha. É preciso trabalhar em conjunto com toda a cadeia e entender o que impacta diretamente em determinada questão”.

Outro desafio futuro, na avaliação de Pierre é a resistência a antibióticos e vermífugos. “A geração mais jovem de veterinários vai precisar lidar muito mais com questões como essas”.

Propósitos

Para Pierre, independente da profissão ou área que se escolha, ele acredita que é muito importante descobrir qual o próprio propósito de vida. “Eu demorei um pouco para entender qual minha motivação, não vinculado só ao trabalho, mas a motivação de vida. Desde pequeno gosto de descobrir e experimentar novas coisas. Isso me motiva. Cada um de nós tem um propósito e pensar sobre isso pode ajudar muito a escolher seus caminhos futuros. Além disso, se você tiver a oportunidade de trabalhar em uma empresa que tem um propósito que se alinhe ao seu, tudo dará certo. A medicina veterinária está oferecendo cada vez mais possibilidades”, conclui.

Não a humanização

Um dos posicionamentos da Royal Canin é dizer não a humanização dos animais. Pierre destaca que as espécies precisam de cuidados feitos de maneira correta e adequados. “Já conversei com agências de comunicação que disseram que precisávamos fazer campanhas de humanização dos pets. A equipe da Royal Canin não vê isso como algo correto, pois não está provado cientificamente. Um pet é um pet e um humano é um humano. Há diferenças e necessidades em múltiplos aspectos seja educacional, nutricional etc. Respeitar isso é algo muito importante na minha opinião, um respeito à condição animal”.  

Curiosidade

Além de presidente, tutor Gramp Socks é o nome do pet de Pierre, um gato cinza que foi resgatado e hoje tem 14 anos. “Meu filho colocou o nome de Gramp Socks, pois quando ele chegou era um pouco bravo e tem as patinhas brancas parecendo uma meia. Hoje é muito carinhoso com todos”, risos.  


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carreira ∙ executivo ∙ indústriapetfood ∙ presidenteempresa ∙ royalcanin

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novembro 14, 2023
20:33

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